EUA – Phoebe Tesoriere, de 23 anos, enfrentou uma década de incertezas e até um coma antes de encontrar a resposta para seus sintomas em uma ferramenta de inteligência artificial. Após anos sendo diagnosticada erroneamente com condições que variavam de ansiedade a epilepsia, a galesa Phoebe Tesoriere finalmente descobriu a causa de seus problemas de saúde.
(Foto ilustrativa: Reprodução Freepik)
A resposta não veio de um consultório médico tradicional, mas de uma consulta ao ChatGPT. A ferramenta de IA sugeriu que a jovem sofria de paraplegia espástica hereditária, diagnóstico que foi posteriormente confirmado por testes genéticos realizados por seu médico de família.
Uma jornada de luta e diagnósticos equivocados
Natural de Cardiff, no País de Gales, Phoebe convive com dificuldades motoras desde a infância. Inicialmente, os médicos acreditaram que suas sequelas físicas eram decorrentes de uma cirurgia no quadril realizada quando ainda era bebê. No entanto, o quadro clínico se agravou drasticamente na vida adulta.
Aos 19 anos, após sofrer uma convulsão no trabalho, os médicos atribuíram o episódio à ansiedade. “Eu era uma pessoa feliz e cheia de vida, não tinha histórico de ansiedade”, relatou a jovem à BBC. Em 2022, o diagnóstico mudou para epilepsia, mas o tratamento medicamentoso não impediu novas crises e episódios de paralisia temporária.
O ápice da crise ocorreu em julho de 2025, quando Phoebe ficou em coma por três dias após uma convulsão severa. Ao acordar, recebeu a notícia de que, afinal, não tinha epilepsia, e os médicos voltaram a sugerir que seus sintomas eram psicológicos.
A virada tecnológica
Sentindo-se “solitária” e cansada de não ser ouvida, Phoebe decidiu inserir todo o seu histórico e sintomas no ChatGPT. A ferramenta apresentou uma lista de possibilidades, destacando a paraplegia espástica hereditária — uma doença neurodegenerativa rara que causa rigidez e fraqueza progressiva nas pernas.
Apesar da hesitação inicial, ela apresentou a sugestão ao seu médico de família, que considerou a hipótese plausível e encaminhou a paciente para exames genéticos. O resultado foi positivo para a condição sugerida pela IA.
O papel da IA na medicina moderna
O caso de Phoebe levanta um debate necessário sobre o uso da tecnologia na saúde. Em nota, o Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale lamentou a experiência da jovem, enquanto especialistas alertam para os riscos da automedicação digital.
A Dra. Rebeccah Tomlinson ressalta que, embora chatbots possam ser úteis para pesquisa, qualquer conclusão deve ser discutida com um profissional. “As pessoas não devem tomar decisões de saúde sem aconselhamento apropriado”, adverte.
Dados da OpenAI indicam que cerca de 230 milhões de pessoas utilizam o ChatGPT semanalmente para perguntas sobre bem-estar. Embora a empresa reforce que a ferramenta não substitui diagnósticos profissionais, casos como o de Phoebe mostram que a IA pode ser uma aliada poderosa na identificação de doenças raras que muitas vezes passam despercebidas pelo sistema de saúde tradicional.
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