Rio de Janeiro – A SAF do Botafogo protocolou, na sexta-feira (3), duas ações na Justiça contra o Lyon, pertencente ao Eagle Group, comandado pelo empresário John Textor. O objetivo do clube carioca é cobrar dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões, referentes a transferências e empréstimos realizados nos últimos anos.
(Foto:Vitor Silva/Botafogo)
Segundo a SAF, entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o Botafogo repassou R$ 573 milhões ao Lyon, após a implementação do sistema de caixa único pelo clube francês, adquirido por Textor no final de 2022. Além disso, o Botafogo tomou empréstimo de R$ 323 milhões no Banco XP para repassar ao Lyon, com acordo inicial para pagamento apenas dos juros, estimados em R$ 45 milhões. Após a mudança de direção no Lyon, o pagamento deixou de ser realizado, segundo a ação.
Até o momento, o Lyon não se pronunciou sobre a ação judicial. A SAF do Botafogo destacou em nota que a medida visa garantir o ressarcimento integral dos valores devidos e proteger os interesses financeiros do clube.
Leia abaixo a íntegra da nota emitida pelo Botafogo
“O Botafogo entrou com ações judiciais nesta sexta-feira (3) contra o Olympique Lyonnais devido a dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é garantir a recuperação dos valores devidos — fundamentais para fortalecer o projeto esportivo do clube — e salvaguardar os ativos do Clube.
Como é de conhecimento público desde a constituição da SAF em 2022, o Botafogo passou a fazer parte do Eagle Group, uma rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva, foi adotado por todos os clubes do Eagle Football um modelo colaborativo de gestão de caixa e recrutamento de jogadores, o que levou a conquistas históricas para o Botafogo, como a Conmebol Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve impacto histórico no primeiro ano de gestão direta do Sr. Textor, tirando o clube de um rebaixamento praticamente certo para a classificação à Liga Europa, após apenas uma janela de transferências.
O Eagle Football adquiriu um Olympique Lyonnais insolvente no final de 2022, com todos os principais bancos exigindo o pagamento da dívida sênior do clube e com a DNCG ameaçando impor sanções severas já no primeiro dia da aquisição pelo Eagle.
‘Medidas irreversíveis’
Nesse contexto, o Botafogo fez sucessivas contribuições financeiras que totalizaram mais de R$ 745 milhões, estruturadas como empréstimos. Com a clara expectativa de reembolso sob condições de compartilhamento de caixa previamente acordadas.
Posteriormente, em meio a conflitos internos entre os acionistas do Eagle Group, o novo presidente do Olympique Lyonnais rescindiu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês não cumpriu suas obrigações e se recusou a pagar a dívida aos clubes parceiros do Eagle: R$ 745 milhões devidos ao Botafogo e mais de 12 milhões de euros devidos ao RWD Brussels. Esse inadimplemento teve impactos diretos nas operações do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando sua capacidade de renovar contratos e contratar jogadores. Como consequência, o Clube chegou a sofrer um transfer ban imposto pela Fifa no final de 2025.
A partir deste momento, o Botafogo está tomando medidas irreversíveis. A SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e para garantir a continuidade e solidez de seu projeto esportivo.”
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