O comandante da lancha Ajato Lima de Abreu, Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, entregou-se às autoridades na noite desta segunda-feira (16). Ele apresentou-se na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na zona Leste de Manaus, após passar cerca de 30 dias na condição de foragido da Justiça. Contra ele, havia um mandado de prisão preventiva em aberto pelo naufrágio ocorrido em fevereiro, na região do Encontro das Águas.
Ao chegar à delegacia, Pedro José utilizou um terno para cobrir o rosto, evitando o registro das câmeras de imprensa que aguardavam no local. A defesa do comandante sustenta que a demora em se apresentar ocorreu por questões de segurança pessoal.
Argumento da defesa
A advogada Geovana Santos, que representa o comandante, afirmou que seu cliente nunca teve a intenção de fugir definitivamente. “O Pedro se apresentou espontaneamente. Ele estava totalmente assustado, fragilizado e, agora, pretende continuar colaborando com as investigações”, declarou a defesa. Segundo a advogada, o “medo” teria sido o principal motivo para ele não ter se entregado logo após o decreto da preventiva.
Vale lembrar que Pedro José chegou a ser preso em flagrante no dia 13 de fevereiro, data do acidente, mas foi colocado em liberdade após o pagamento de fiança. No entanto, diante do desdobramento das investigações e da gravidade dos fatos, a Justiça reverteu a decisão e determinou sua prisão preventiva no dia seguinte.
O caso: 30 dias de angústia no rio Amazonas
O naufrágio da lancha Lima de Abreu XV ocorreu na manhã de 13 de fevereiro. A embarcação, que partiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte transportando cerca de 80 passageiros, submergiu completamente em uma das áreas de maior correnteza da região.
Até o momento, o balanço da tragédia é desolador:
- 3 mortes confirmadas logo após o acidente.
- 5 pessoas continuam desaparecidas nas águas do Rio Amazonas.
- Dezenas de sobreviventes foram resgatados, muitos dos quais ficaram à deriva por horas.
Com a prisão do comandante, a Polícia Civil espera concluir o inquérito que apura as causas da submersão e as responsabilidades criminais sobre o excesso de passageiros e as condições de navegabilidade da lancha.













